Em que bairro você mora? Não importa se num bairro considerado "nobre" da alta classe ou se num bairro da periferia, o bairro é a unidade que em seu conjunto forma a cidade. Além do mais, é o lugar responsável por boa parte de nosso arquivo emocional, por testemunhar nosso cotidiano, o vai-e-vem das pessoas, a convivialidade da vizinhança, os costumes, a cultura, as crenças, o desenvolvimento social.
Graças ao plano diretor, a lei orgânica do município, os espaços que compreendem os bairros têm uma tendência à estruturação urbanística. Os bairros hoje, na maioria, possuem rede de esgoto, coleta de lixo, redes de supermercados, unidades de saúde da família, escolas, creches, igrejas, delegacias, mercados, áreas de laser, enfim, uma lista enorme de equipamentos públicos e privados que estão ao dispor do morador.
Por que não transformá-los em subcentros administrativos que, ligados ao centro administrativo da Prefeitura Municipal pudesse promover seu auto desenvolvimento e sustentabilidade em nível local? Essa discussão não é nova e tem se processado no âmbito do Poder Legislativo em nível nacional, por uma razão simples: o Orçamento Participativo que grande alarde tem feito pelos municípios desse vasto Brasil caiu na caducidade quanto a sua eficácia. Ou seja, ficou caduco, pirado e inócuo. Ora, se os próprios membros do Poder Legislativo (vereadores) têm declarado abertamente que as Audiências para discussão da peça orçamentária do Município é um jogo de faz-de-conta, o que dizer da relevância dos delegados do O.P. (Orçamento Participativo)? Pura perda de tempo? Por quê? Porque orçamento mexe com volume de recursos que geram conflitos de interesses que não se coadunam com a vontade imediata do povo!
E o que mudaria de adotássemos o modelo de subcentro administrativo? Os conflitos de interesses poderiam até insistir, mas as obras estruturantes estariam perto do povo, estariam no bairro, os recursos se descentralizariam de acordo com as demandas sociais e não de acordo com as conveniências político-eleitoreiras como se vê pelo mundo a fora.
O bairro continuaria sendo bairro, mas com um formato de sub-prefeitura, com orçamentos específicos. Então teríamos recuperação de escolas bem feitas, pavimentação de ruas sem desperdícios e com menos desvios de recursos públicos, equipamentos públicos de saúde e segurança em dia, em plena funcionabilidade. E, a tendência da população seria o envolvimento maior, seja fiscalizando in locu, seja contribuindo com maior desprendimento por ver seu bairro se desenvolvendo sem arrodeio nem favoritismos.
O sentimento de quem sabe estar cuidando efetivamente do que é seu, do lugar onde convive, onde mora é um sentimento de pertença, um sentimento forte. É um sentimento unido, coeso, firme. Que quero dizer com isso? Atos de vandalismo, depredação, desordem em geral com motivação nas drogas ou por quaisquer outros motivos seriam naturalmente rechaçados pelo simples fator organizacional dos moradores unidos em torno da promoção da cultura da paz e da harmonização do homem junto a seu meio ambiente.
Comente isto com seu amigo, parente, em família, e quem sabe, essa discussão não ganhe corpo e tornemos um dia, esse sonho em realidade, afinal, temos o dever e o direito de zelar pelo que é nosso, pelo nosso espaço, pelo nosso bairro.
Um abraço fraterno!
