terça-feira, 1 de novembro de 2011

O BAIRRO COMO SUBCENTRO ADMINISTRATIVO DA CIDADE


Em que bairro você mora? Não importa se num bairro considerado "nobre" da alta classe ou se num bairro da periferia, o bairro é a unidade que em seu conjunto forma a cidade. Além do mais, é o lugar responsável por boa parte de nosso arquivo emocional, por testemunhar nosso cotidiano, o vai-e-vem das pessoas, a convivialidade da vizinhança, os costumes, a cultura, as crenças, o desenvolvimento social.

Graças ao plano diretor, a lei orgânica do município, os espaços que compreendem os bairros têm uma tendência à estruturação urbanística. Os bairros hoje, na maioria, possuem rede de esgoto, coleta de lixo, redes de supermercados, unidades de saúde da família, escolas, creches, igrejas, delegacias, mercados, áreas de laser, enfim, uma lista enorme de equipamentos públicos e privados que estão ao dispor do morador.

Por que não transformá-los em subcentros administrativos que, ligados ao centro administrativo da Prefeitura Municipal pudesse promover seu auto desenvolvimento e sustentabilidade em nível local? Essa discussão não é nova e tem se processado no âmbito do Poder Legislativo em nível nacional, por uma razão simples: o Orçamento Participativo que grande alarde tem feito pelos municípios desse vasto Brasil caiu na caducidade quanto a sua eficácia. Ou seja, ficou caduco, pirado e inócuo. Ora, se os próprios membros do Poder Legislativo (vereadores) têm declarado abertamente que as Audiências para discussão da peça orçamentária do Município é um jogo de faz-de-conta, o que dizer da relevância dos delegados do O.P. (Orçamento Participativo)? Pura perda de tempo? Por quê? Porque orçamento mexe com volume de recursos que geram conflitos de interesses que não se coadunam com a vontade imediata do povo!

E o que mudaria de adotássemos o modelo de subcentro administrativo? Os conflitos de interesses poderiam até insistir, mas as obras estruturantes estariam perto do povo, estariam no bairro, os recursos se descentralizariam de acordo com as demandas sociais e não de acordo com as conveniências político-eleitoreiras como se vê pelo mundo a fora. 

O bairro continuaria sendo bairro, mas com um formato de sub-prefeitura, com orçamentos específicos. Então teríamos recuperação de escolas bem feitas, pavimentação de ruas sem desperdícios e com menos desvios de recursos públicos, equipamentos públicos de saúde e segurança em dia, em plena funcionabilidade. E, a tendência da população seria o envolvimento maior, seja fiscalizando in locu, seja contribuindo com maior desprendimento por ver seu bairro se desenvolvendo sem arrodeio nem favoritismos.

O sentimento de quem sabe estar cuidando efetivamente do que é seu, do lugar onde convive, onde mora é um sentimento de pertença, um sentimento forte. É um sentimento unido, coeso, firme. Que quero dizer com isso? Atos de vandalismo, depredação, desordem em geral com motivação nas drogas ou por quaisquer outros motivos seriam naturalmente rechaçados pelo simples fator organizacional dos moradores unidos em torno da promoção da cultura da paz e da harmonização do homem junto a seu meio ambiente.

Comente isto com seu amigo, parente, em família, e quem sabe, essa discussão não ganhe corpo e tornemos um dia, esse sonho em realidade, afinal, temos o dever e o direito de zelar pelo que é nosso, pelo nosso espaço, pelo nosso bairro. 

Um abraço fraterno! 

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

AS VÁRIAS FACES DA VIOLÊNCIA

O artigo 5º da nossa Constituição Federal é sem dúvida um dos mais belos modelos de reconhecimento e resguardo do direito à vida e a dignidade humanas. Se a letra da Carta Magna fosse posta em prática, o salário mínimo que todo trabalhador brasileiro recebe estaria em torno de 5 a 6 mil reais e daria para suprir as necessidades fundamentais da família como saúde, educação, segurança e laser.

Nossas escolas seriam todas elas, sem exceção, equipadas com modernos laboratórios e salas climatizadas com computadores de ponta e acesso a internet turbinada. Os professores não saberiam exatamente o significado da palavra "greve", pois essa atividade tão espinhosa seria reconhecida e valorizada. 

O ensino de qualidade, universalizado, nivelaria o pobre e o rico quando esses se encontrasse à porta da Universidade. Com educação, a saúde também andaria saudável, pois a população estaria menos expostas a situações comuns de riscos que acabam gerando doenças as mais variadas possíveis. 

Com capacidade e consciência cidadã, o sistema de transporte público, o sistema fornecedor de energia, água, e demais serviços básicos seriam otimizados e a segurança pública iria cuidar apenas dos casos extremos que fogem ao controle social, pois a sociedade seria pertencente apenas a um Brasil e não a vários brasis como esses que compõem as várias faces da violência.

Nosso Brasil pode ser o país do futebol mas também é o Brasil da violência contra a mulher. Inúmeros relatórios reforçam a existência de uma cultura de violência física e verbal contra a mulher. Parece que se tornou comum, banalizou-se a ponto de ser "encarado" como normal, o achado contínuo de corpos de mulheres mutilados, irreconhecíveis, esquecidos.

É o país da exploração sexual infanto-juvenil, da pedofilia, do escancaramento de crimes sem solução contra crianças em situações de vulnerabilidades. 

É o país da fome e da miséria, grande no desperdício de alimentos que são descartados, jogados nos lixões as toneladas, mas que, por outro lado, cultiva uma população de famintos, de miseráveis que compõem um exército de subnutridos que não têm o luxo da terceira refeição diária.

Sem educação, sem lar, sem raízes familiares, que pode produzir o ser humano, senão ódio por si mesmo e por aqueles que lhe cercam. Desse ponto, em cada esquina, o crack representando um convite fatal como fuga da realidade. Mas a realidade, após o efeito da dosagem, volta a aterrorizar. E o primeiro crime, acanhado e limitado, passa a dar lugar aos vários que se seguirão com feições cruéis, beirando o extinto puramente animal, são feras que um dia foram humanos, vidas tragando vidas. É a violência que reuniu todas as faces num só corpo.

E o que eu e você podemos fazer? Aonde o Estado e a Igreja falharam, nós podemos fazer algo. Afinal, não há força maior que o amor que constrói, que cicatrizas as feridas, que dão sentido a vida! 

Nós podemos avançar no alcance social através, muitas vezes, de gestos simples, porém, fortes no seu significado. Gestos que podem salvar vidas, que não estão aquém nem além, estão em nosso bairro, ou até mesmo, na nossa rua! Pense nisso! Deixe-se envolver pelas boas ações. Leve pão ao que está faminto, uma palavra de ânimo ao desesperado, um cobertor ao que está no frio. A recompensa poderá vir mais tarde, mas a satisfação é imediata. Vale à pena.