O artigo 5º da nossa Constituição Federal é sem dúvida um dos mais belos modelos de reconhecimento e resguardo do direito à vida e a dignidade humanas. Se a letra da Carta Magna fosse posta em prática, o salário mínimo que todo trabalhador brasileiro recebe estaria em torno de 5 a 6 mil reais e daria para suprir as necessidades fundamentais da família como saúde, educação, segurança e laser.
Nossas escolas seriam todas elas, sem exceção, equipadas com modernos laboratórios e salas climatizadas com computadores de ponta e acesso a internet turbinada. Os professores não saberiam exatamente o significado da palavra "greve", pois essa atividade tão espinhosa seria reconhecida e valorizada.
O ensino de qualidade, universalizado, nivelaria o pobre e o rico quando esses se encontrasse à porta da Universidade. Com educação, a saúde também andaria saudável, pois a população estaria menos expostas a situações comuns de riscos que acabam gerando doenças as mais variadas possíveis.
Com capacidade e consciência cidadã, o sistema de transporte público, o sistema fornecedor de energia, água, e demais serviços básicos seriam otimizados e a segurança pública iria cuidar apenas dos casos extremos que fogem ao controle social, pois a sociedade seria pertencente apenas a um Brasil e não a vários brasis como esses que compõem as várias faces da violência.
Nosso Brasil pode ser o país do futebol mas também é o Brasil da violência contra a mulher. Inúmeros relatórios reforçam a existência de uma cultura de violência física e verbal contra a mulher. Parece que se tornou comum, banalizou-se a ponto de ser "encarado" como normal, o achado contínuo de corpos de mulheres mutilados, irreconhecíveis, esquecidos.
É o país da exploração sexual infanto-juvenil, da pedofilia, do escancaramento de crimes sem solução contra crianças em situações de vulnerabilidades.
É o país da fome e da miséria, grande no desperdício de alimentos que são descartados, jogados nos lixões as toneladas, mas que, por outro lado, cultiva uma população de famintos, de miseráveis que compõem um exército de subnutridos que não têm o luxo da terceira refeição diária.
Sem educação, sem lar, sem raízes familiares, que pode produzir o ser humano, senão ódio por si mesmo e por aqueles que lhe cercam. Desse ponto, em cada esquina, o crack representando um convite fatal como fuga da realidade. Mas a realidade, após o efeito da dosagem, volta a aterrorizar. E o primeiro crime, acanhado e limitado, passa a dar lugar aos vários que se seguirão com feições cruéis, beirando o extinto puramente animal, são feras que um dia foram humanos, vidas tragando vidas. É a violência que reuniu todas as faces num só corpo.
E o que eu e você podemos fazer? Aonde o Estado e a Igreja falharam, nós podemos fazer algo. Afinal, não há força maior que o amor que constrói, que cicatrizas as feridas, que dão sentido a vida!
Nós podemos avançar no alcance social através, muitas vezes, de gestos simples, porém, fortes no seu significado. Gestos que podem salvar vidas, que não estão aquém nem além, estão em nosso bairro, ou até mesmo, na nossa rua! Pense nisso! Deixe-se envolver pelas boas ações. Leve pão ao que está faminto, uma palavra de ânimo ao desesperado, um cobertor ao que está no frio. A recompensa poderá vir mais tarde, mas a satisfação é imediata. Vale à pena.

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